Gap de gênero e a misandria de Estado: o "tendão de aquiles" da direita brasileira em 2026

Há um consenso por parte de cientistas políticos que, ao analisar o cenário eleitoral de 2026, compreendem que o eleitorado que está para definir os rumos do Brasil é o eleitorado feminino, que já compõe quase 53% do eleitorado — 82,5 milhões de mulheres aptas a votar, segundo dados do TSE de janeiro de 2026. No atual momento, marqueteiros, assessores e demais profissionais envoltos do dever de transformar imagens de figuras políticas instruem seus companheiros a usar de pautas feministas, com ou sem a linguagem do feminismo — criptofeminismo, um feminismo que não se manifesta com a imagem e linguagem do movimento, presente até mesmo em círculos antifeministas — para alavancar popularidade entre esse eleitorado. Um verdadeiro equívoco.

O presente cenário que pode ser lido na sociedade brasileira é de avanço da guerra dos sexos, é presente um fenômeno tratado como dialética amigo-inimigo, de Carl Schmitt, na qual uma força política e civil que representa um grupo demográfico conflita com as posições de um grupo de posição antagônica a este, e que então, usa desse conflito de implicação dialética contra um inimigo externo ao grupo para tornar coesa as redes internas — teoria do conflito, de Lewis Coser — para justificar políticas intensas de repressão contra esse grupo antagônico. Nessas posições vemos o movimento de misandria de Estado, promovido por uma rede de aparelhamento feminista com forte ativismo ideológico e político em todas as esferas institucionais possíveis (Estado, setores corporativos, instituições religiosas e até mesmo famílias), em contraponto a uma resposta orgânica e ainda não estrutural: o masculinismo, nos últimos anos apelidado de “Red Pill”, em alusão à pílula vermelha do filme Matrix.

No entanto, essa leitura de mundo implica com a leitura do êmico (olhar interno do grupo “nativo”) do feminismo guiado pela manipulação promovida pelas redes aparelhadas, em princípio pela imprensa (aparelhada) e indústria “cultural”, que narram um mundo no qual os homens são agressores ontológicos, e que, portanto, a existência do gênero homem implica em uma violência existencial contra as mulheres, ou seja, a luta pela igualdade de gêneros é ela constante e eterna, e insuficiente, enquanto houver a distinção de gêneros e que, portanto, não basta a “igualdade” como equivalência, e sim uma matriarcalização da sociedade e das instituições como meio para assegurar que as mulheres terão sofrimento diminuído perante a presença ontológica da violência existencial masculina — presente nos pensamentos e obras de Mary Daly (1978), Shulamith Firestone (1970), Andrea Dworkin (1987) e Catharine MacKinnon.

Por mais que o feminismo radical e o ginocentrismo ontológico sejam posições diminutas e nucleares na sociedade civil, há uma estrutura de pensamento montada com espaços a essas posições muito bem guardados e privilegiados no mundo secular, assim como nas intersecções desse mundo com as culturas de âmago religioso, que insere nas mulheres moldadas e ensinadas nessa grande estrutura de mundo mitos desse extremo misândrico no subconsciente feminino e coletivo, como os de que todos os homens são estupradores natos, violentadores em potencial, que ocupam cargos de poder de modo parasitário, que tornam o mundo mais inseguro e que impõem ao feminino um sofrimento existencial e ontológico.

Pelo plano do ético (olhar externo ao grupo “nativo”), o homem civil enxerga apenas o plano visível, incapaz de compreender as profundezas do criptofeminismo, observa somente o discurso e não os alicerces ocultos do discurso, vê este uma rede de enganos na mulher moderna — esta conveniente aos abusos, julgamentos temerários contra o homem universalmente — não vê essa rede oculta de conduções ideológicas e deformação do olhar ao homem. Ocorre do homem, primeiro, lidar com riscos e perigos dessas transformações nas relações das instituições com a sociedade a tratar do gênero (universal) homem, então enxergar o plano político do problema de antemão, depois enxerga as nuances do movimento e seu meio de cooptar mulheres por via do apelo ao sentimento do medo, mais adiante percebe ele a rede de solidariedade para com os atos injustos de “reparação” contra o masculino universal incutido nos menores crimes praticados por mulheres contra homens, e por fim percebe a exposição de ideias explicitamente misândricas que não são devidamente tratadas como justificativas para punição às expositoras, a essa altura do campeonato o cidadão, homem, percebeu que as instituições foram aparelhadas. A misandria não é, portanto, combatida pelo establishment, e que se não é devidamente combatida, na lógica dos conflitos políticos modernos, recebe um apoio negativo, isso é, trata-se de uma não-ação que opera como uma ação indireta em auxílio — “quem se cala, consente”. Ao ver essas redes constituídas o ser de gênero (universal) homem se vê sem alternativas além de atuar pela lógica conhecida (do mundo secular e moderno) de buscar no ativismo cívico, com lampejos de expressões de cunho político, uma posição de resistência a essa estrutura de misandrização e matriarcalização das instituições, por essa lógica ainda moderna e secular operam os discursos de viés masculinista.

Um outro olhar entra em jogo, falamos do olhar do político que busca agradar populações inteiras por via de uma transformação de imagem pública, isso é uma grande utopia na esfera política e que os candidatos se propõem a crer, pois na prática tendem a agradar grupos e lutar pela conquista de espaços, inexiste um perfil prático e real de “político unificador” que agrade todos os polos da sociedade fora dos discursos e das propagandas políticas. O político, então, precisa se conectar a esses “mundos” (tribos e grupos) para obter ganhos eleitorais, e ao tentar agradar dois senhores o político pode agradar ninguém, ou, no pior dos casos, ceder pela ambiguidade e dubiedade a um grupo que possui já poder, infiltração em instituições, financiamento apoio político e domínio nos campos de disputa, nesse caso, entre reivindicações masculinistas e feministas, que são inconciliáveis, o grupo com maior atividade política, apoio e poder venceria a guerra de braço e colocaria esse político (feminista), ou grupo político (partidos, federações, etc.) de joelhos.

A busca da direita pelo eleitorado feminino

Quando tratamos da “direita brasileira” consideramos um pacote de ideários contidos em um espectro adaptado aos povos do território brasileiro, dessa forma, observamos nesse espectro direcionado os seguintes desejos: 1) valorização de símbolos tradicionais alinhados a uma síntese que constitui a civilização brasileira, portanto, implica esse desejo com a sanha decolonialista de desconstruir a herança luso e católica; 2) valorização de heranças euro-brasileiras, especialmente luso, em alguns movimentos desse espectro, como o monarquista e o tradicionalista católico, em outros espaços da direita brasileira uma noção mais presente de “integração” está contida; 3) valorização da fé cristã (católica ou protestante), mesmo que dentro de uma estrutura ecumênica, mesmo não-cristãos nesse espectro podem demonstrar simpatia e solidariedade para com os grupos cristãos; 4) de defesa das instituições orgânicas, exemplo a Igreja e a família; 5) do direito de subsidiariedade, isso é, de manter a resolução dos problemas interinstitucionais nas mãos dessas instituições sem que o Estado seja o sumo interventor absoluto, no caso, trata-se do desejo de ter o poder de resolver querelas, nisso inclui desde a defesa ao armamento civil até a liberdade monetária e fim do excesso de programas sociais; 6) de resgate de uma ordem social que traga relações harmoniosas entre as instituições, portanto, legando ao Estado um papel de “regulador”, ao contrário de “interventor”, ainda operando uma lógica na qual busca maior eficiência do Estado, dialogando com posições minarquistas ou mesmo, em oposição, defendendo um “Estado necessário” (máximo) — influência do histórico eficientismo de gerência estatal-militar, getulismo, integralismo e recentemente do bukelismo, de Nayib Bukele — sem capacidades interventivas absolutas; e 7) o desejo de recuo de todas as pautas sociais promovidas pelo ideário decolonialista e de filosofia sadista, que operam como fundamentos das políticas wokes aplicadas violentamente pelos Estados nacionais desde a década de 1980.

Por certo, no critério de atender esses desejos, os movimentos sociais como o feminismo, racialismo negro e indigenista, movimento LGBTQIA+ e demais outros corpos identitários estão exclusos, entende-se então que todos os que participam desses movimentos e que compartilham bandeiras identitárias para com esses citados jamais votarão em alguém que está no espectro político da direita. Apesar da literatura brasileira de ciência política — Singer (2000), Carreirão (2002), Castro (1994) — apontar para o fato de que a esmagadora maioria dos estudos empíricos não encontram associação sistemática entre ideologia e voto no Brasil (Atlasintel, 2026), há um problema que vem se tornando uma tendência em eleições acirradas no mundo ocidental pelos últimos anos, no caso o fato de que as mulheres tendem a votar em candidatos de esquerda, mesmo as que não são militantes de ideologias de esquerda.

A eleitora genuinamente ideológica que jamais votará no espectro oposto é uma minoria, mas ou é uma minoria que cresce e que define eleições em cenários polarizados, ou há um outro fenômeno que deve ser avaliado, e esse em questão (a segunda hipótese) é a relação do avanço do crescimento exponencial do Estado com a confiabilidade do eleitorado feminino em políticos e partidos de esquerda, mesmo se o agente promotor desse crescimento exponencial for alguém que represente o espectro da direita.

Para gerações nascidas a partir de 1946, mulheres são mais favoráveis à intervenção governamental (Grasso; Shorrocks, 2025), porém, é visto que as mulheres já eram mais favoráveis ao Estado ativo antes do gap moderno emergir, isso é, já havia uma predisposição da mulher ao gosto pelas políticas de esquerda (Van Ditmars; Shorrocks, 2025). São reconhecidas por analistas algumas variantes, Lena Edlund e Rohini Pande (2002) apontam uma correlação entre declínio do casamento e gap político, percebe-se que as mulheres veem redistribuição como seguro contra risco de renda pós-divórcio, independente de quem implementa, o que colabora com a tese de que as oportunidades de trabalho feminino, mediadas pelo Estado de bem-estar, afetaram o poder de barganha familiar e preferências políticas (Iversen; Rosenbluth, 2006).

Na eleição para prefeito de Nova York em 2025, vencida por Zohran Mamdani, as evidências apontam que o voto feminino foi decisivo para o resultado, especialmente entre as jovens. Dados de exit polls indicam que Mamdani obteve desempenho excepcional entre mulheres, alcançando cerca de 84% entre aquelas de 18 a 29 anos e 65% entre as de 30 a 45 anos. Os estudos sobre o eleitorado mostram ainda que as mulheres jovens apoiaram o candidato em proporções significativamente maiores que os homens da mesma faixa etária, aproximadamente 82% contra 65%. Análises jornalísticas contemporâneas reforçam essa leitura, apontando a mobilização feminina jovem como um dos fatores centrais da vitória, contribuindo para um comparecimento recorde de mais de 2 milhões de eleitores. A evidência convergente indica portanto que as mulheres, particularmente as jovens, foram um dos grupos-chave para a vitória eleitoral de Mamdani.

Um caso semelhante em exemplo, porém com resultado exitoso para o espectro da direita, foi a eleição chilena de 2025, que envolveu o católico e direitista José Antonio Kast. A literatura acadêmica e os surveys disponíveis são consistentes em apontar um gap de gênero claro desfavorável a Kast entre as mulheres. Estudos comparativos mostram que as mulheres foram significativamente mais propensas a votar em Jeannette Jara, então candidata pela esquerda, evidenciando uma diferença estatisticamente relevante. Esse padrão aparece também em análises qualitativas, cujos perfis de eleitores indicam que a rejeição à direita no Chile inclui fortemente o eleitorado feminino, especialmente entre mulheres de posições progressistas (Reyes-Housholder; Schwindt-Bayer, 2025). Assim, a melhor síntese com base nas evidências disponíveis aponta que, mesmo Kast tendo vencido a eleição de 2025 com cerca de 58% dos votos totais, seu apoio entre mulheres foi claramente inferior ao obtido entre homens, sendo plausível que o gap de gênero no país tenha tornado sua maioria feminina inexistente ou consideravelmente mais estreita.

O equívoco

O exemplo observado nas candidaturas de Flávio Bolsonaro (PL) e das deputadas do partido MISSÃO vem se mostrando um desastre a respeito da busca pelo aumento do eleitorado feminino à suas bases de eleitores.

O caso do partido MISSÃO é o mais curioso até o momento, pois o partido vinculado ao MBL (Movimento Brasil Livre) propôs inserir mulheres jovens para atingir cláusula de cota […] e mudar o perfil do eleitorado para um perfil mais feminino, porém meses antes da eleição o partido adentrou polêmicas envolvendo escândalos sexuais […], tendo no passado visto um de seus líderes políticos, Arthur do Val, vulgo “Mamaefalei”, protagonizado uma polêmica sexual em uma viagem que fizera para a Ucrânia nos princípios do conflito Rússia-Ucrânia.

De acordo com pesquisas […] o eleitorado do partido MISSÃO é composto majoritariamente por homens jovens entre 16 e 27 anos de idade

Como busca de avanço por esse eleitorado, Flávio Bolsonaro, favorito para disputa de segundo turno conforme as pesquisas, tem investido em um discurso de defesa da representação feminina em postos de comando e órgãos públicos, prometendo 1) muitos cargos para mulheres em ministérios de um eventual governo; 2) apoio à indicação de mulheres para o Tribunal de Contas da União, tendo inclusive preterido o nome do aliado Hélio Lopes em favor da deputada Soraya Santos, declarando publicamente incomodar-lhe o fato de que nenhuma mulher integra o TCU atualmente; 3) uma vice-presidente na chapa, com preferência declarada por perfil conservador e de ligação com o eleitorado religioso, sendo os nomes das deputadas Simone Marquetto e Clarissa Tércio ventilados em reuniões internas, e a senadora Tereza Cristina descrita pelo próprio Flávio como seu “sonho de consumo”; e 4) o voto favorável ao chamado “PL da Misoginia”, aprovado no Senado em março de 2026 com 67 votos a favor e nenhum contra, que inclui a misoginia entre os crimes da Lei do Racismo, com pena de dois a cinco anos — decisão que gerou reação dentro da própria direita e que o próprio Flávio justificou posteriormente como manobra para evitar uma “armadilha do PT”, evidenciando a contradição estrutural dessa estratégia de agrado ao eleitorado feminino dentro do espectro conservador.

Essas ações vem demonstrando sinalizações de apoio a pautas de reivindicações feministas dentro da esfera institucional, o que pode garantir apoio político interno, mas não reflete em promessas de políticas sociais de apoio à mulher, que, portanto, não convence maior parte do eleitorado feminino que não é ideologizado mas que ainda mantém o voto garantido para Lula. O pior dos casos não é o não-ganho de um eleitorado que só cederá voto à direita por via de um milagre, mas sim a perda de um eleitorado masculino que rejeita o avanço da matriarcalização estatal e da misandria de Estado.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (Censo 2022), há cerca de 7,8 milhões de mulheres vivendo com filhos sem cônjuge, contra 1,2 milhão de homens na mesma condição, o que indica que mulheres representam aproximadamente 86%–87% dos responsáveis monoparentais; esse quadro é ampliado por estimativas do Fundação Getulio Vargas (IBRE/FGV), que apontam para mais de 11 milhões de mães solo no país, considerando diferentes arranjos familiares. Embora não exista estatística oficial nacional que discrimine o sexo dos réus em ações de pensão alimentícia, a literatura e a análise estrutural desses dados censitários permitem inferir, de forma consistente, que a maioria dos pagadores tende a ser masculina, já que a guarda cotidiana dos filhos recai majoritariamente sobre mulheres; assim, ainda que percentuais como “90%” não sejam formalmente publicados em bases administrativas, a assimetria observada em fontes primárias sustenta empiricamente a existência de um gender gap relevante na responsabilização parental (IBGE, 2022; IBRE/FGV).

Referências

ATLASINTEL. Pesquisa de ideologia eleitoral brasileira. Registrada no TSE sob n. BR-06058/2026, março de 2026.

CARREIRÃO, Yan de Souza. Identificação ideológica e voto para presidente. Opinião Pública, Campinas, v. 8, n. 1, 2002.

DWORKIN, Andrea. Pornography: Men Possessing Women. New York: Perigee/E.P. Dutton, 1981.

DALY, Mary. Gyn/Ecology: The Metaethics of Radical Feminism. Boston: Beacon Press, 1978. (2ª ed. com “New Intergalactic Introduction”: Boston: Beacon Press, 1990.)

EDLUND, Lena; PANDE, Rohini. Why have women become left-wing? The political gender gap and the decline in marriage. The Quarterly Journal of Economics, Oxford, v. 117, n. 3, p. 917–961, ago. 2002. DOI: 10.1162/003355302760193922.

FIRESTONE, Shulamith. The Dialectic of Sex: The Case for Feminist Revolution. New York: Bantam Books, 1970.

FUNDAÇÃO FRIEDRICH EBERT STIFTUNG (FES Brasil). Juventude e política no Brasil: diferenças de gênero. 2025.

GRASSO, Maria; SHORROCKS, Rosalind. Are new generations of women more left-wing than men? Generations and gender gaps in attitudes to inequality and social services. Journal of European Public Policy, Londres, p. 1–28, abr. 2025. DOI: 10.1080/13501763.2025.2490811.

IVERSEN, Torben; ROSENBLUTH, Frances. The political economy of gender: Explaining cross-national variation in the gender division of labor and the gender voting gap. American Journal of Political Science, Hoboken, v. 50, n. 1, p. 1–19, jan. 2006. DOI: 10.1111/j.1540-5907.2006.00166.x.

MACKINNON, Catharine A. Toward a Feminist Theory of the State. Cambridge: Harvard University Press, 1989.

REYES-HOUSHOLDER, Catherine; SCHWINDT-BAYER, Leslie A. Gender and presidential vote choice in Latin America. British Journal of Political Science, v. 55, e180, 2025. DOI: 10.1017/S0007123425101117.

SINGER, André. O lulismo em crise. São Paulo: Companhia das Letras, 2018. (e os estudos eleitorais anteriores de 1999/2000)

VAN DITMARS, Mathilde M.; SHORROCKS, Rosalind. Social change and women’s left vote. Comparative Political Studies, Thousand Oaks, v. 58, n. 8, p. 1571–1602, 2025. DOI: 10.1177/00104140241271123.

Notas de rodapé

Em Gyn/Ecology (1978), Daly opera uma inversão sistemática das categorias de pureza e impureza. O patriarcado define a mulher como ontologicamente impura, ao que Daly responde atribuindo ao masculino institucional uma esterilidade constitutiva, os homens descritos como “supremamente estéreis, infinitamente impotentes”, cuja única produção possível é a morte (Cap. 7). A dominação masculina é “ginocida” e avança ainda sobre a consciência feminina anteriormente à sua própria formação como sujeito autônomo, colonizando-a em sua origem, isto é, o mecanismo que Daly nomeia prepossession e que fundamenta a compreensão da violência masculina como ontológica em sentido estrito, anterior e irredutível ao plano do comportamento individual.

Refere-se ao filósofo Marquês de Sade.


Looking for comments…

Searching Nostr relays. This may take a moment the first time this article is opened.